Do lixo também se tira a luz
(imagem: http://adland.tv/)
Não meus amigos, este não é mais um daqueles simpáticos posts com bonitas mensagens edificantes, de auto-ajuda, embora seja também uma boa notícia.
Este talvez seja um dos maiores problemas de nossa civilização, o que fazer com todo o lixo que é gerado pela nossa sociedade? Uma das respostas a esta questão poderá ser satisfeita ainda que parcialmente com a geração de energia a partir de todo este lixo. Resposta que atende a vários aspectos da questão ambiental, como por exemplo um aproveitamento mais extensivo dos recursos, a melhoria da qualidade ambiental das grandes cidades, seja pela qualidade do ar, seja pela diminuição do risco de contaminação dos lençóis freáticos, entre outras vantagens.
Este projeto que trago para o conhecimento de voces, além destas características, apresenta ainda outros pontos igualmente interessantes, como a produção de biogás, que poderá ser utilizado como Gás Natural Veicular (GNV) ou distribuído pela companhia de gás. Há também a produção do composto orgânico, a ser utilizado na agricultura, bem como a integração com as Cooperativas de Catadores, que deverão se beneficiar com a recolha de materiais recicláveis.
Vejam:
Tratar toneladas de lixo que poderiam passar centenas e até milhares de anos degradando o meio ambiente e ainda produzir energia elétrica para o consumo da população. Esta é a proposta do consórcio Recife Energia S/A, formado pelas empresas Qualix Serviços Ambientais, Kogernegy e Serquip, que pretende instalar duas Centrais de Tratamento e Destinação de Resíduos (CTDR) na Região Metropolitana, no Recife e Cabo de Santo Agostinho.
O tratamento e a disposição dos resíduos urbanos no Brasil parecem estar galgando um novo patamar, uma nova fase promissora, tanto no aspecto ambiental quanto no econômico. Segundo plano do Ministério de Minas e Energia, o lixo das 300 maiores cidades brasileiras pode significar 15% da energia elétrica consumida no país. Esse cálculo é feito sobre todo o lixo, que pode ser transformado em energia pelas usinas termoelétricas.
De olho nesse novo nicho de mercado, empresas que atuam nas áreas de resíduos, limpeza pública e saneamento começam a projetar e implantar empreendimentos que utilizem políticas já aprovadas e regulamentadas no país, que podem ser ecologicamente seguras e sustentáveis.
Embora no Brasil não exista em funcionamento nenhum sistema similar, Recife e outras cidades brasileiras estão investindo nesta tecnologia para tratar os resíduos produzidos por seus cidadãos. A cidade de Montes Claros, em Minas Gerais, e Curitiba, Paraná, estão processando e licitando a contratação de sistema similar com aproveitamento energético dos resíduos urbanos e recuperação de passivos existentes e, São Paulo, vem estudando profundamente o assunto para implantação de várias unidades.
Dados de geração de Energia com Resíduos em alguns países
Detalhes do projeto podem ser conhecidos através do Relatório de Impacto Ambiental (Rima) que está disponível para consulta no portal da Agência Estadual de Meio Ambiente de Pernambuco (CPRH), no endereço www.cprh.pe.gov.br. O edital de divulgação foi publicado no dia 29 de dezembro de 2009. Desde então, e durante 45 dias, o Rima pode ser consultado por qualquer pessoa interessada.
Cópias impressas do Rima estão também disponíveis para consulta na biblioteca da CPRH e nas sedes das prefeituras do Recife e do Cabo de Santo Agostinho.
O serviço de divulgação do RIMA pela CPRH é uma prática que objetiva socializar as questões relativas à instalação e operação do empreendimento nas áreas pretendidas, destacando-se os impactos ambientais, positivos e negativos, e suas medidas de mitigação e compensação, conforme dispõe a legislação ambiental.
Através dessa iniciativa, a Agência Estadual de Meio Ambiente objetiva preparar os interessados para contribuição efetiva ao processo de licenciamento ambiental, quando da realização da audiência pública, que pode ser solicitada durante o período oficial de divulgação (45 dias a partir da publicação do edital).
O empreendimento – As centrais de tratamento e destinação de resíduos vão ocupar uma área total de cerca de 80 mil metros quadrados (55 mil no Recife e 25 mil no Cabo de Santo Agostinho), numa estimativa de criação de 320 empregos diretos e 240 indiretos. A expectativa é de tratamento de 2.8 mil toneladas de lixo por dia.
Empreendimentos desta natureza já operam normalmente na Europa, Ásia e Estados Unidos. A unidade de Brescia, na Itália, fornece cerca de 43MW/hora de energia por cada 1,1 tonelada de resíduo sólido tratado. O consórcio Recife Energia espera tratar parte do lixo produzido na Região Metropolitana, considerando o crescimento da produção de resíduos nos próximos 20 anos, período da concessão.
Fonte: Tendências e Mercado







