Bento Bembe: Ou é cego, ou mentiroso. Ou será as duas coisas?
(imagem: Paris Match)
A capacidade dos políticos em se corromperem, serem cooptados, sonegarem a verdade tentando “cobrir o sol com uma peneira” é uma coisa sobejamente conhecida por todos, mas a cada vez que me deparo com um exemplo, confesso a vocês, fico impressionado. É o presente caso. Pouco antes do final do ano, o ministro sem pasta António Bento Bembe (que já foi um dia, militante da causa de Cabinda) declarou, mais uma vez:
Bento Bembe insiste que não há guerra em Cabinda
2008-12-30 16:40:06
Cabinda – António Bento Bembe, ministro sem pasta angolano, não dá ‘qualquer credibilidade’ às informações dos atos de guerrilha e ações das FAA praticados em Cabinda, considerando que ‘são invenções de indivíduos de má-fé que estão contra a paz’.
“Hoje a paz está estabelecida e consolidada em Cabinda e não há mais espaço para guerras. E quem pode testemunhar isso são não só angolanos, mas até estrangeiros que lá trabalham’, salientou o ministro sem pasta afirmando que 90% das medidas previstas no Memorando de Entendimento para a Paz em Cabinda foram cumpridas pelas partes que assinaram o acordo.
“Neste momento esta província (Cabinda) goza de um estatuto especial que é uma resposta adequada dada pelo governo de Angola às reivindicações das populações locais”, afirmou Bento Bembe à agência Lusa, não especificando contudo as características do “estatuto especial”.
Exonerado das suas funções António Bento Bembe, que já foi líder da FLEC Renovada e antigo secretário-geral da FLEC, assinou a 01 de Agosto de 2006, no Namibe, sul de Angola, Memorando de Entendimento para a Paz e Reconciliação em Cabinda, um acordo contestado pelo presidente da FLEC, Nzita Tiago, e chefias militares do movimento.
A ação de Bento Bembe foi interpretada nos meios nacionalista cabindeses como um ato isolado que apenas envolve os membros da extinta FLEC Renovada.
Fonte: http://ibinda.com/
Agora vejam o outro lado da história, publicado hoje no Expresso:
Angola: Conflito de Cabinda já não tem fronteiras para guerrilheiros e militares angolanos – comandante FLEC
Lisboa, 06 Jan (Lusa) – A fronteira entre Angola e República Democrática do Congo "não existe" para os guerrilheiros cabindas, que usam o país vizinho como retaguarda, e para os militares angolanos, que, acusa o líder das Forças Armadas Cabindesas (FAC), ali os perseguem.
Em entrevista à Lusa por telefone, supostamente "a partir das zonas libertadas em Cabinda", Estanislau Miguel Boma, chefe de Estado Maior das FAC, afirma que a ausência de recentes ataques de envergadura em Cabinda não significa que "a guerra esteja perdida", mas que os guerrilheiros estão em "reorganização", e assume que está a enviar homens doentes para tratamento na RDC.
"Os que estão em estado enfermo e não podem suportar vida do interior das matas são evacuados para o exterior, são postos em esconderijos à espera que um dia tenham facilidade de entrar de uma forma clandestina no hospital para ser tratados", esclarece Boma.
"É aí que são massacrados pelas tropas angolanos, quando são localizados através das informações dos populares que são corrompidos com o dinheiro do petróleo angolano", como terá acontecido no passado dia de Natal, quando três guerrilheiros morreram, dois dos quais decapitados, afirma o líder da FAC, organização rebelde afiliada na Frente de Libertação do Estado de Cabinda (FLEC).
Os três homens terão sido capturados e executados por elementos das Forças Armadas Angolanas (FAA) numa aldeia junto à fronteira do enclave angolano com o país vizinho.
Angola reagiu por António Bento Bembe, ex-líder cabinda e atual ministro sem pasta, afirmando não dar "qualquer credibilidade" às informações de atos de guerrilha e ações das FAA no enclave, "fabricações de indivíduos de má-fé que estão contra a paz", que alega prevalecer.
As FAC reivindicaram recentemente ter abatido dez soldados angolanos em operações da guerrilha no território, entre 27 de Novembro e 01 de Dezembro, junto à fronteira, o que também foi desmentido por Bento Bembe.
O líder da FAC afirma que a "retaguarda" na RDC é usada para aprovisionamento, tratamento dos doentes, compra de medicamentos ou mantimentos, e que dispõe de apoio de grande parte da população, até pelos laços étnicos que existem em toda a região.
"Somos povos irmãos, falamos uma única língua, existem relações familiares", afirma, e "quando se mata o tio na cidade ou interior de Cabinda" a perda pode repercutir-se "no Congo Brazaville ou no Congo Democrático".
Boma diz que atualmente as FAA "atravessam a fronteira sem qualquer medo" e que têm a "mão posta sobre os Congos". "A fronteira é inexistente", afirma.
Boma escusa-se a dizer quantos homens tem atualmente as FAC, mas assegura que são "centenas em todas as regiões" do enclave de Cabinda.
"Conforme andamos estamos a recrutar. É uma força armada popular, com os nossos jovens, os nossos filhos, os nossos irmãos, os nossos menores. Nas condições revolucionários, somos muitos. Mas não temos capacidade de guerra convencional, somos uma guerrilha", afirma.
Os batalhões da FAC "podem ter 200 e tal 300 homens", cerca de metade dos da FAA.
Quando à aparente falta de capacidade das FAC para realizar ações de envergadura contra as FAA ou instalações petrolíferas no enclave, Boma afirma que o "silêncio" se explica pela necessidade de fazer uma "revisão, verificar o que foi bem e mal".
"Os jogadores que estão em equipes fazem os preparativos para ir ao Mundial e isso tudo. Nós também, como revolucionários, temos sempre algum tempo de seminários. Quando se dá alguma pausa, não significa que estamos derrotados ou a perder capacitação", afirma.
"Muitas vezes os angolanos gabam-se de estarmos talvez de fora do teatro de guerra, mas afinal estamos a treinar os nossos comandantes, soldados, para poder um dia haver mais dinamismo, mais força, mais capacidade, novas estratégias, novas táticas", adianta o líder da FAC.
Fonte: http://aeiou.expresso.pt/
Ora amigos, este senhor já havia dado esta mesma declaração em fevereiro de 2008. Quem acompanha a história angolana, sabe que desde os tempos em os cubanos mandavam em Luanda, já existia o movimento pela independência de Cabinda. Já no Visão Global publicamos:
Cabinda: Comandante da FLEC afirma que os cubanos estão de volta
Que fique bem claro a todos os nossos muitos amigos angolanos, que não estamos a tomar partido pela independência do enclave de Cabinda, mas também não nos colocamos contra. O que temos procurado mostrar é o que está acontecendo e que tem recebido tão pouca cobertura da mídia.
Procuramos também apresentar o discurso falacioso, enganador e as ações autoritárias e corruptas das autoridades de Luanda, que com todos os recursos que o petróleo tem trazido à nação angolana, têm repassado tão pouco em termos de qualidade de vida ao povo angolano.
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